quarta-feira, 30 de março de 2016

Repensando a Dinâmica dos Objetos

Há alguns dias, postei um texto tentando relacionar pelo menos três objetos, de acordo com a proposta apresentada durante a aula. O objetivo era criar uma relação baseada em possibilidades programáticas, mas continuei retornando para a finalística e/ou causalística. Repensando a relação entre esses objetos (tablet, ukulele e bolsa), tentei formular um texto baseado na lógica do objeto.
--> Um dia três objetos estavam num barco, e vangloriavam-se de suas capacidades.

TABLET: Desde a minha criação, fui responsável pelo auxílio em muitas atividades exercidas por humanos. Saibam que sou o Tablet, e funciono como um computador portátil, mas, diferente desse, eu priorizo mais as formas de entretenimento. Eu consigo fazer muitas coisas, seja uma por vez, ou várias ao mesmo tempo. Posso registrar momentos através de fotos e mensagens, posso tocar músicas dos mais variados estilos, facilitar comunicações, tornar o mundo um lugar mais acessível! Eu sou o símbolo da acessibilidade e do desenvolvimento tecnológico!
UKULELE: É preciso admitir que a música é uma forma de arte bem-vinda para todas as situações. E quem consegue criar música em qualquer lugar, com a maior facilidade de locomoção? Eu, o Ukulele! Sou a estrela desse lugar, eu crio o lazer para qualquer ser. Ao contrário do jovem Tablet, eu sou muito mais antigo, e mantenho meu respeito ainda hoje. Sou digno de receber méritos de qualquer um!
BOLSA: Quanta inocência esses dois jovens possuem! Querem reconhecimento por tão pouca coisa, mas mal sabem como é ser alguém prestativo e trabalhador. Sou quase tão velho quanto a humanidade, e sempre estou em evolução. Levo comigo tudo que é importante e necessário de forma prática. Sou sinônimo de improviso e de usabilidade, me adapto em qualquer situação. Vocês deveriam me idolatrar!

--> Essa discussão continuou prolongando-se por um tempo, até que um imprevisto ocorreu. O clima mudou muito rapidamente, e a maré começou a ficar mais intensa, e o barco tendia a virar. O humano ali presente conseguiu chegar até uma ilha próxima no instante em que a tempestade atingiu eles. O desespero por abrigo instalou o caos, fazendo com que muitos objetos se tornassem vitimas enquanto tentavam se salvar.
Quando a tempestade se acalmou, o estrago tornou-se claro: muitos objetos faleceram, inclusive o Ukulele e o Tablet, afetados pela água. Apenas o humano, a bolsa e o que estava dentro dela estavam vivos. O barco tinha sido arrastado, deixando eles sem formas de sair dali até que algum outro barco passasse ao redor da ilha e os resgatasse.
Mas, até lá, seria necessário trabalho em equipe. E assim foi, com uma articulação inovadora do humano. Ele tinha, além dos objetos citados acima, um isqueiro e um caderno.
Os objetos concordavam que precisavam do humano vivo para sobreviverem, e assim colaboravam como podiam. O corpo do Ukulele e algumas folhas do caderno eram alvo do isqueiro, que criava fogueiras para afastar os insetos e manter o calor.
Existiam amoras na ilha, então ele as colhia e amassava, utilizando como forma de tinta em outras folhas do caderno, e era o Tablet quem ficava de apoio, para que as folhas não fossem rasgadas.
A bolsa, que sempre se orgulhou de poder carregar muitas coisas para qualquer lugar, se sentia deprimida diante daquela situação. Sua única utilidade ali era servir de travesseiro para o humano, sem colaborar quase nada.
Assim foi a rotina deles por quase dois dias, antes de serem resgatados pela guarda costeira. A família do humano havia notificado sobre seu desaparecimento e costume de navegar com o barco naquela região, facilitando no resgate deles.



Percebe-se, através do exemplo acima, que os objetos utilizados ficaram sujeitos ao acaso. Não se imaginavam executando aquelas funções, mas através da situação buscaram uma adaptação que os auxiliasse, através do uso de relações programáticas.

Dinâmica dos Objetos


Apresentei meu objeto (um tablet) como um símbolo de conectividade e praticidade. A partir de então, fiz duas conexões: a primeira com o ukulele, que representa, para mim, uma forma de arte, ou uma possibilidade de me aproximar mais de representações artísticas; o segundo objeto no qual fiz conexão foi a bolsa, um item fácil de levar para qualquer lugar, e bem prático, uma vez que uma de suas funções é carregar outros objetos. Enquanto pensava sobre as ligações que fiz, pude perceber que foi estabelecida uma relação finalista nas minhas escolhas, por ter feito uma análise superficial, considerando apenas suas funções básicas e mais comuns. Assim, comecei a refletir sobre outras representações que tais objetos poderiam assumir. Meu tablet pode ser um símbolo de desconexão, uma vez que descarregue ou que esteja fora de rede; o ukulele pode se tornar um objeto de decoração, ao invés de ser utilizado como instrumento musical; a bolsa pode ficar dentro de um armário, pode ser usada para guardar apetrechos. Dessa forma, pude concluir que esses objetos vão além de minhas impressões iniciais, que se baseavam apenas nas relações causais e finalistas. De acordo com o acaso, eles se adaptam, funcionam de forma diferente conforme com as circunstâncias. Assim, eles nunca estão determinados, limitados a uma função específica, mas estão a mercê do acaso, com base na lógica programática.

domingo, 20 de março de 2016

Conjunto Arquitetônico da Pampulha

Formado pela Igreja de São Francisco de Assis, pela Casa de Baile, pelo Iate Tênis Clube e pelo Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), esse importante conjunto arquitetônico e paisagístico foi inaugurado em 1943, na região da Pampulha, em Minas Gerais, na gestão de Juscelino Kubitscheck como prefeito de Belo Horizonte.
O projetista foi o arquiteto Oscar Niemeyer, que incorporou o paisagismo de Roberto Burle Marx, os painéis de Cândido Portinari e as esculturas de Alfredo Ceschiatti.
As formas curvas e as qualidades plásticas do concreto armado que compõem as construções da Pampulha representam a materialidade de um momento histórico para a arte e a arquitetura. Nessa época, ocorre, no Brasil, uma intensa produção cultural com novas linguagens de expressão arquitetônica, impulsionada pelas ideias revolucionárias e vanguardistas do modernismo, que influenciou as gerações posteriores, no Brasil e no mundo.

Iate Tênis Clube
Com o formato que remete a um veleiro passeando sobre as águas da Lagoa da Pampulha, o Yacht Golf Club, primeiro nome do Iate Golf Clube, atual Iate Tênis Clube, foi construído a partir de um projeto que se diferenciava dos traços utilizados por Oscar Niemeyer nos demais edifícios do Conjunto Paisagístico e Arquitetônico da Pampulha. Ao privilegiar as retas ao invés das curvas, como adotado nos projetos da Igrejinha da Pampulha, do Cassino e da Casa do Baile, o arquiteto adornou a orla da lagoa com um edifício em linhas duras, no qual se destaca o telhado asa de borboleta com inclinação em ‘V’, em uma composição tipicamente modernista.


Casa de Baile


A Casa do Baile foi inaugurada em 1943 para abrigar um pequeno restaurante, um salão com mesas, pista de dança, cozinhas e toaletes. Fica localizada em uma pequena ilha artificial ligada por uma ponte de concreto à orla da Lagoa da Pampulha.
Faz parte do Conjunto Moderno da Pampulha e, desde 2002, funciona como Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e do Design. A proposta do centro é a de organizar, documentar e valorizar tanto os espaços construídos e simbólicos da cidade quanto objetos que se tornaram referência na vida cotidiana de nossa sociedade.

Igreja de São Francisco de Assis


Dentre as obras que compõem o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Lagoa da Pampulha, a Igreja de São Francisco de Assis se destaca por expressar melhor do que qualquer outra obra naquele espaço, o conceito que tornou o traço do arquiteto Oscar Niemeyer único e reconhecido para além das fronteiras do Brasil. As ideias e reflexões que Niemeyer tinha sobre o próprio ofício são materializadas nas curvas que dão forma ao templo.


Museu de Arte da Pampulha 

Projetado para ser um cassino no início da década de 1940, durante a administração do prefeito Juscelino Kubitschek, o prédio que abriga hoje o Museu de Arte da Pampulha (MAP) foi o primeiro projeto de Oscar Niemeyer para o Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Sua concepção foi influenciada pelos princípios funcionalistas do arquiteto Le Corbusier. O Museu é tombado nas esferas municipal, estadual e federal. O MAP oferece continuamente visitas orientadas, técnicas e mediadas, incluindo também oficinas, atividades e exercícios práticos, encontros e conversas com artistas e convidados.

Fontes: 

http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/820
http://www.museuvirtualbrasil.com.br/museu_pampulha
http://www.soubh.com.br/espacos-culturais/casa-do-baile
http://www.belohorizonte.mg.gov.br